“Quando se navega sem destino, nenhum vento
é favorável” (Sêneca). Convidamos você a navegar, em algumas linhas da vida,
para uma conversa sobre como temos recebido os ventos que a vida nos oferece.
Que rumos minha vida tem tomado de acordo com o curso, a rota, ou melhor,
conforme o projeto de minha existência?
O mundo globalizado, motivado pelos interesses
pessoais, enfraquece as relações sociais, as instituições e, também, os
compromissos duradouros. Nesse contexto reina o individualismo, o consumo, o
prazer subjetivo de uma sociedade midiática, norteada pelos reality shows que
se espalham nos meios de comunicação, baseada na imagem, no que você aparenta.
Talvez por esses e outros motivos encontramos tantos(as) jovens em depressão,
envolvidos(as) com a violência, o tráfico, e com o extermínio de jovens.
O mapa
Queremos
convidá-lo(a) para o desafio de navegar com um destino. Imagine que encontrou
um mapa e este o leva a navegar até um tesouro escondido em uma ilha
desconhecida. O tesouro transformará sua vida, irá organizá-la para a
felicidade e fazer com que outras pessoas sejam felizes. Contribuirá com a
organização dos diversos aspectos de sua vida, sejam eles pessoais,
profissionais, sociais, afetivos...
O tesouro escondido chama-se Projeto Pessoal de
Vida (PPV). Iremos ao encontro de uma proposta que busca a profundeza do ser
humano, um caminho de opções processuais e de constante discernimento. Com a
certeza de tomar decisões com liberdade, responsabilidade e compromisso. Contudo
um caminho dinâmico e que necessita de revisão e reelaboração, sempre que
necessário. O PPV fará com que navegue por um curso reflexivo a partir do corpo
(nosso ser material), do espírito (o existencial e o psíquico) e a relação com
mundo interior. Na relação com essas três dimensões, teremos a possibilidade de
dialogar e relacionar-se conosco mesmos(as), com o outro, o ecossistema, o
transcendente, buscando o sentido e o horizonte de nossa vida.
Os passos
Decisão: momento de refletir e analisar se realmente
quero ter um projeto pessoal de vida, se quero navegar contra a correnteza, com
posturas diferenciadas.
Elaboração: momento de colocar a “mão na
massa”, escrever minha história, para que possa ter-me em minhas próprias mãos.
Descrever: Onde e como estou? Quais são os meus sonhos (pessoais, sociais,
familiares, acadêmicos, profissionais...)? Que decisões e ações efetivas são
necessárias para que esses sonhos se concretizem? Onde e como devo atuar no
cotidiano para alcançar meus sonhos? É um momento de olhar o caminho, de fazer
o encontro com você mesmo, de clarear o processo a ser feito, em vista de uma
missão que propõe a doação e a entrega da vida em prol da felicidade plena -
sua e dos que o cercam.
Acompanhamento: ao elaborar seu projeto de
vida, é importante que escolha uma pessoa com mais idade, que tenha
uma história e uma relação com você. Seja alguém em
quem confie e a quem você esteja disposto a entregar sua vida, sua história,
para que ele(a) possa contribuir no processo de acompanhamento e escuta do
caminho que está trilhando.
Revisão: o projeto de vida só será eficaz se
for revisto de tempos em tempos, revisitado sempre que a vida passar por
mudanças e, se necessário, ser elaborado levando em consideração o contexto
vivido.
É necessário esclarecer que o projeto de vida
pode ser feito da maneira que achar melhor, sendo criativo e simples, ao mesmo
tempo. Faça da forma como seu coração mandar. Utilize apenas papel e caneta.
Faça algo com fotografias, recortes, desenhos. Mescle os dois, enfim, fique à
vontade!
Não podemos deixar de dizer que muitos ventos
tentarão levá-lo para outros destinos. Citamos a superficialidade, a
dificuldade de entrar em nossa vida, o consumo enraizado que nos faz colocar na
balança os valores de nossa existência, a falta de tempo e dificuldade de ter
prioridades, a falta de horizontes, a ausência de espaços para atuar e fazer
acontecer o nosso projeto e a escassez de pessoas dispostas a nos acompanhar.
Os desafios gerarão em nós diversas crises.
Momentos que podemos chamar de ostra, nos quais nos recolheremos para olhar
fundo em nosso ser. É nessa dinâmica que serão geradas as pérolas para
enriquecer a nossa vida, transformar nosso projeto e embelezar o nosso navegar.
Faz-se necessário, cada vez mais, a existência de pessoas conscientes e
comprometidas com a vida.
Verbo ser
(Carlos Drummond de Andrade)
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer?
Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa,
E cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.
Raquel
Pulita Andrade Silva,
Comissão Nacional de Assessores(as) da Pastoral da
Juventude e Analista Pastoral da Província Marista Brasil Centro-Norte.
Endereço eletrônico: rp0706@gmail.com
e
Joaquim Alberto Andrade Silva,
assessor da Equipe Nacional do Teias de Comunicação da Pastoral da
Juventude, analista da UMBRASIL.
Endereço eletrônico: joaquimaasilva@gmail.com
Artigo publicado no jornal Mundo Jovem, edição nº
413, fevereiro de 2011, página 7.
Fonte: http://www.pj.org.br/artigos/37